Mas se não é o equilíbrio que as pessoas procuram, pelo que é que elas se movem?
Objectivo(s), metas, desafios
O que realmente faz as pessoas se mexerem e se superarem a si mesmas são os objectivos a que se propõem ou aos que são obrigadas ultrapassar. Quando um indivíduo possui um propósito, uma vontade, inabalável ou não, de fazer algo, vive melhor, sente-se melhor porque encontra nessa batalha pessoal e interior, um sentido, um significado para a sua vida. Qual é o teu objectivo? – deve ser a pergunta correcta a colocar a cada um. Alguns continuarão a defender que é a procura do equilíbrio físico e emocional, como dizia o senhor Myagi, outros dirão que é ser reconhecido e respeitado por todos, outros dirão que a sua vida não lhes pertence e lá tomam um autocarro com uma bomba na mochila para mostrar o poder do seu Senhor a todos os infiéis e depois há os que afirmam ser o fim de todas as ameaças terroristas o seu objectivo, quando no final são movidos pela ambição pessoal de algumas “pessoas”. Existem ainda indivíduos sem qualquer objectivo na vida, que à custa disso vivem à margem da sociedade, pessoas que tinham realmente um objectivo, um propósito, um sonho, mas que a determinada altura lhes foi tirado, ou perderam-no, não sei, “é a vida”, como se diz.
Agora pergunto – os objectivos das pessoas como é que funcionam temporalmente? Para mim, há os objectivos a longo e prazo e outros a curto prazo, que tal como o nome indica, uns demoram mais tempo que outros a atingir, mas é o seu conjunto, que me faz mexer, lutar teimar, não desistir. Quanto mais se quiser alcançar algo, mais empenho se lhe dispensa. Neste momento tenho alguns objectivos, mesmo agora enquanto escrevo, faço-o com um objectivo, que é tentar perceber alguma coisa acerca do que quero e de que modo o realizo. Mas tal como foi referido anteriormente, pode suceder algo que altere as variáveis da equação e faça os objectivos caírem por terra, fazendo-me questionar o meu sentido, a minha existência.
É normal eu acho, nada dura para sempre, tudo se altera e acaba ao longo do tempo, faz parte da condição humana. E tal como as feridas que alteram fisicamente o corpo, também os contratempos, as agonias, as frustrações, os problemas, os desgostos mudam uma pessoa e fazem-na evoluir (ou não) e adaptar-se às novas condicionantes. Isto reflecte-se nos objectivos de cada um, pois eles também se alteram, transformando-se e orientando-nos para um novo sentido. Assim sendo, poder-se-á talvez afirmar que os objectivos são parte da condição humana. Mas ao contrário da mortalidade, a condição suprema do Homem, os objectivos podem perdurar muito tempo e servir de inspiração a outras pessoas. Não é por acaso que se fala de Ulisses, Aquiles, ou Heitor ou mesmo de um senhor Jesus Cristo que existiu há dois mil anos. Todos eles tinham um objectivo que alcançaram, um objectivo muito maior que eles próprios que os fez alcançar a imortalidade e servir de referência para as pessoas. Mas… acho que já estou a divagar muito, continuo depois esta reflexão, pois cheguei à conclusão de que nada sei. Hmm… Acho que já ouvi isto em algum lado.
Data: Um dia qualquer em Março de 2006
